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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Novos materiais, novas técnicas - Escrito por Rui Gomes

Vou publicar aqui no Blog um artigo escrito pelo Rui Gomes (campeão do mundo 2006 )sobre pesca embarcada, que considero bastante bom para aqueles que não o leram ,aqui fica a partilha.Numa colaboração com a EFSA com o Blog,o artigo também foi inserido no jornal TÉCNICAS ESPECÍFICAS DE PESCA NO MAR , nº 18.Assim passo a transcrever:"Quem se dedica à pesca desportiva, viu surgir nos últimos anos uma infinidade de novos materiais que vieram revolucionar as técnicas de pesca. A maioria dos pescadores não se apercebeu que tem disponível na sua velha loja de material de pesca produtos de novíssima tecnologia.
Lembro-me do ar surpreendido de um professor universitário, da área dos novos materiais, quando numa colaboração da marca HIRO com uma exposição por ele organizada, numa prestigiada universidade, sobre os tais novos materiais, lhe mostrei um conjunto de pesca composto por: uma cana de última geração, feita em carbono de alto módulo com passadores em SIC; um carreto cheio com fio de multifilamento de polietileno micro extrudido (spectra/dyneema);
Novos materiais, novas técnicas
Tal como os materiais, a nossa vida mudou muito nos últimos anos: a sociedade especializou-se, os recursos naturais escasseiam e o tempo de lazer é cada vez mais valioso. Portanto é legítimo que queiramos que o nosso precioso tempo dedicada à nossa actividade de lazer favorita seja produtivo, num meio cada vez mais pobre em peixe. Essa produtividade não significa forçosamente pescar mais peixes, significa é ter mais prazer com os peixes que apanhamos e com todos os passos que damos até chegar à captura. Vejamos pois, que prazer dá apanhar um pequeno peixito com um fio grosso, uma cana grossa e pesada e uma grande chumbada?Certamente dará muito mais prazer pescá-lo com uma cana ligeira em carbono, fio de multifilamento e uma pequena chumbada.O que buscamos é prazer, e o prazer aumenta com a sensibilidade. É pois a sensibilidade a grande diferença entre a pesca antiga e a do novo século.O pescador moderno pesca fino, ligeiro, sensível. E foram os novos materiais que permitiram e impulsionaram essa evolução. Em nosso entender, a grande revolução apareceu com os novos super fios de alta resistência e sem elasticidade. E como um conjunto tem de ser harmónico, a utilização destes novos fios que vieram substituir na pesca ao fundo o monofilamento de nylon, mais grosso e sobretudo uito mais elástico, obrigou à evolução nos restantes componentes, sobretudo as canas e os carretos.Vamos pois passar a analisar os diversos componentes do nosso conjunto de pesca, vistos de baixo para cima – na perspectiva do peixe.
Chumbada
A chumbada serve para levar a nossa montagem até ao fundo. Mas não só. Na pesca moderna, a chumbada tem outras funções. Conforme as nossas espécies alvo sejam peixes desconfiados ou agressivos e as condições de visibilidade no fundo, a chumbada terá de ser o mais discreta possível ou então atrair a atenção.Para além disso deverá ter uma forma hidrodinamicamente perfeita, para aumentar a sua velocidade de descida e diminuir a resistência na subida, mantendo uma boa trajectória.
Montagens
A montagem é o dispositivo que faz a ligação entre as diversas peças do nosso sistema de pesca: o fio principal do carreto aos estralhos e à chumbada. Costuma ser também o elo mais fraco do nosso sistema.Como está à vista do peixe, tem de ser discreto, o que significa fino, mas ao mesmo tempo tem de ser resistente. Tem de ser dimensionado para o tamanho médio das nossas capturas, mas suficientemente forte para não nos dar um desgosto, quando temos a sorte de ferrar um peixe maior, daqueles que vem premiar a nossa persistência, que fazem uma bela fotografia e marcam presença no nosso forno, alegrando toda a família.As montagens são formadas por destorcedores, fio e nalguns casos pérolas, elementos que passamos a analisar.Destorcedores: são elementos de ligação. Para além de ligar, desfazem as voltas que os vários componentes forçosamente dão, resultado tanto do atrito com a água como da acção do peixe. Para pescar fino e sensível, os destorcedores têm de ser pequenos mas resistentes, portanto de boa qualidade.Fio: usa-se monofilamento transparente. Tanto pode ser em nylon como em fluorcarbono. Sobre o fio, o que há a dizer é que tem de ser de muito boa qualidade, firme no nó e com pouca memória.Pérolas furadas cross-b da HIRO: uma alternativa ao uso de destorcedores para ligar os estralhos à linha madre da montagem, é o uso de pérolas transparentes furadas. São eficientes, pouco visíveis e fáceis de usar.
Anzóis
A diversidade de anzóis é tão grande como a dos iscos, peixes e pescadores! No entanto há regras básicas que são comuns a tão grande diversidade. A primeira é que na moderna pesca fina e sensível, o anzol tem de ser fino, resistente e apresentar a ponta afiada, o que é sinónimo de um anzol em aço de alto teor de carbono.A sua forma e cor devem ser de maneira a facilitar uma iscada, com boa apresentação; todos sabemos que os olhos comem antes da boca, e para os peixes isto também é válido. Nunca é demais salientar a importância de uma boa apresentação dos iscos.
Fio principal
Para se pescar fino e sensível, o fio do carreto deve ser em multifilamento de polietileno (PE White, PE Black). Estes novos fios são muitíssimo resistentes à tracção e não têm elasticidade, permitindo-nos pescar com diâmetros impensáveis com monofilamento de nylon e com uma sensibilidade extraordinária.Quanto a nós, esses fios até podiam ser mais elásticos, e para obter essa elasticidade a maioria dos pescadores usa uns metros de monofilamento de nylon junto à montagem, para amortecer as cabeçadas de peixes nervosos e de boca frágil como as choupas (Spondyliosoma cantharus), que a não ser assim, muitas vezes partem a boca e ficam pelo caminho.É difícil fazer nós firmes no multifilamento, pois este é escorregadio e como não tem elasticidade é muito difícil apertar um nó.
Carreto
Um carreto é um dispositivo que nos serve para recuperar, largar e armazenar o fio. Parece simples, mas um bom carreto para a pesca ao fundo tem de: ser leve, pois nesta pesca a cana está todo o dia na mão; ter uma relação de recuperação equilibrada, muito lenta perdemos muito tempo a recuperar, muito rápida, temos de fazer muita força na manivela, o que causa fadiga; ter pelo menos os eixos da manivela e do rotor apoiados em rolamentos, para reduzir o esforço necessário para a recuperação; “arrumar” o fio na bobina duma forma regular, para facilitar a saída do fio só com o peso da chumbada; e por fim, é fundamental que tenha uma embraiagem precisa e macia para deixar sair fio quando o peixe puxa mais. A pesca com multifilamento é muito exigente com as embraiagens!
Cana
A cana é o componente em que mais facilmente se pode apreciar a evolução das técnicas de pesca ao fundo nos últimos anos. Remetidas ao passado já estão as canas de 1,8 metros em fibra de vidro, de ponteiras grossas e indestrutíveis. Com uma cana dessas não se pode pescar fino, muito menos sensível.As canas têm crescido, e continuam a crescer! Já se vêm muitos pescadores a usar canas com mais de 3 metros, o que era impensável há pouco tempo atrás. Vamos então tentar perceber porque é que as canas se têm tornado cada vez mais compridas.
Uma cana moderna tem uma ponteira ultra fina e sensível, que nos transmite imensa informação sobre o que se está a passar lá em baixo: se o fundo é duro ou mole, se é liso ou com desníveis, se está um peixe a mordiscar no nosso isco, e muito mais. A ponteira fina permite-nos interagir com o peixe, provocá-lo e levá-lo a atacar os iscos mais determinadamente. Após o peixe ferrado, a cana age como um amortecedor da acção do peixe, cansando-o e não deixando que a boca se rasgue ou o fio se parta com um impulso mais violento de um exemplar maior.Com fio em multifilamento essa função de amortecimento tem de ser feita pela cana, tendo então esta de ter algum comprimento para não se esgotar e perder a elasticidade. A cana tem então de ser elástica até à carga de rotura do nosso fio ou aparelho, não se deve esgotar antes, pois neste caso o nosso conjunto não está devidamente equilibrado. Como é evidente, a capacidade de amortecimento e elasticidade aumenta com o aumento do comprimento da cana.Outro factor que tem levado ao crescimento das canas tem a ver com a pesca de competição e a pesca de traineira, em que muitas vezes mais de dez pescadores partilham o mesmo barco, apanhando rapidamente todo o peixe que está debaixo do mesmo. Neste caso quer-se uma cana mais comprida para pescar por fora dos outros, mais à proa ou mais à popa ou ainda para lançar e colocar o nosso aparelho onde os concorrentes não cheguem! Claro que lançar da maneira clássica num barco cheio de gente é perigoso e pouco viável, por isso lança-se por baixo, técnica que exige uma cana rígida.
Óculos
Muitas horas no mar expõem o pescador a uma grande quantidade de radiações nocivas de ultra violetas, que a longo prazo lhe podem trazer problemas de visão. Não se esqueça que apanhamos o sol vindo de cima e também reflectido na água. Além disso é importante poder ver o peixe o mais cedo possível, para tentar ver o que é e como o anzol está cravado, o que é muito importante para sabermos como vamos meter o peixe a bordo, se é necessário ou não o camaroeiro. Faz portanto parte dos acessórios da pesca moderna um par de bons óculos com lentes polarizadoras, para nossa protecção, conforto e melhor visibilidade para dentro da água, cortando o reflexo do sol no mar.
Pescador
Terminamos com a análise do último e mais importante elemento do nosso conjunto: nós, os pescadores desportivos.O mundo mudou muito, a sociedade mudou muito e aquilo que amamos acima de tudo: a natureza e a fruição dos recursos naturais estão ameaçados pela desordenada evolução tecnológica, social e demográfica.A pressão sobre o ambiente é imensa e todos nos apercebemos que os recursos naturais estão ameaçados pela poluição e pela sobre-exploração.
Em todo o mundo moderno, os pescadores desportivos têm-se tornado n um grupo de pressão para que os recursos naturais aquáticos sejam preservados.Somos nós os pescadores desportivos as principais testemunhas e muitas vezes as únicas não comprometidas, de atrocidades cometidas contra o meio ambiente. Lembrem-se que enquanto estamos no mar e vemos a diminuição do peixe, o desaparecimento de certas espécies, o lixo que nele é despejado e que leva anos ou séculos a ser absorvido pelo meio; bem como as práticas de pesca ilegais e de extermínio, a maioria dos nossos concidadãos está em terra.Seja portanto responsável e coerente, e não deite lixo no mar nem pesque irresponsavelmente. Pesque em qualidade e não em quantidade, evite matar peixes imaturos ou durante a época de reprodução e não dê aos inimigos da pesca recreativa argumentos para nos atacar. "Espero que tenham gostado deste excelente artigo escrito por um campeão, como eu gostei.Até já.

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